1ª Convenção Nacional Mulheres na Educação Financeira reuniu cerca de mil participantes e ampliou o debate sobre educação financeira, trabalho, patrimônio, longevidade, empreendedorismo e participação econômica das mulheres.
A autonomia econômica feminina esteve no centro dos debates da 1ª Convenção Nacional Mulheres na Educação Financeira, realizada em 17 de setembro, em formato online, com transmissão pela TV ABEFIN.
Promovido pela ABEFIN Mulher, por meio da ABEFIN Nacional, o encontro reuniu entre 700 e 800 participantes simultaneamente e alcançou aproximadamente mil pessoas ao longo da programação.
Especialistas, educadoras financeiras, empreendedoras, profissionais e lideranças de diferentes setores participaram de discussões sobre educação do comportamento financeiro, empreendedorismo, empregabilidade, longevidade, geração de renda e independência econômica.
Mais do que um evento de conteúdo, a Convenção colocou em discussão caminhos para a construção de uma agenda nacional de autonomia econômica feminina.
Ao final da programação, também foi anunciada a realização da 2ª Convenção Nacional Mulheres na Educação Financeira, prevista para acontecer em Minas Gerais, em 2027.
Educação do comportamento financeiro como caminho para a autonomia
A programação foi estruturada a partir de quatro grandes eixos: Longevidade e Aposentadoria Sustentável, Independência Econômica Feminina, Maturidade Financeira e Fiscal e Igualdade de Gênero e Empregabilidade.
A proposta foi ampliar a discussão sobre educação financeira para além do orçamento doméstico ou dos investimentos.
O debate colocou o comportamento financeiro em diálogo com diferentes fases da vida e com as condições necessárias para que as mulheres possam tomar decisões econômicas com maior consciência, planejamento e autonomia.
A empresária e investidora Carol Paiffer também participou da programação com a palestra “Protagonismo Feminino no Desenvolvimento de Ecossistemas e Territórios”, trazendo para o debate a participação das mulheres na construção de negócios, redes e ambientes de desenvolvimento.
Para o presidente da ABEFIN Nacional, PhD Reinaldo Domingos, compreender o comportamento financeiro é parte fundamental desse processo.
“Mais do que discutir dinheiro, a Convenção mostrou que precisamos falar sobre comportamento financeiro e sobre a capacidade de cada mulher tomar decisões conscientes em diferentes momentos da vida. A educação do comportamento financeiro é uma ferramenta de transformação porque ajuda a diagnosticar a realidade, respeitar os sonhos, organizar escolhas e construir um caminho possível para realizá-los. Quando ampliamos esse conhecimento, também ampliamos a autonomia e a capacidade de participação econômica das mulheres.”
Economia do cuidado também interfere na independência financeira
A construção da autonomia econômica não depende apenas de renda ou conhecimento sobre finanças.
Durante a Convenção, a chamada economia do cuidado também entrou no debate, abordando o impacto das responsabilidades relacionadas à família, à casa e à assistência a outras pessoas sobre a permanência e o crescimento das mulheres no mercado de trabalho.
Para Kátia Teixeira, do Grupo Amazing e fundadora do Instituto Quais de Mim Você Procura, discutir oportunidades também exige olhar para as condições reais enfrentadas pelas mulheres.
“Um dos pontos que mais me marcou foi trazer a economia do cuidado para o centro da conversa, porque não basta falar em oportunidades sem discutir as condições reais para que as mulheres possam permanecer, crescer e construir autonomia econômica.”
Patrimônio também é parte da independência econômica
A construção de patrimônio foi outro tema relacionado à autonomia financeira feminina durante o encontro.
Luciana Esnarriaga Viana, diretora macrorregional Sudeste de Integração Feminina do Sistema Cofeci-Creci, destacou a relação entre conhecimento, organização financeira e capacidade de construir patrimônio ao longo da vida.
“Falar sobre o papel do mercado imobiliário, da organização financeira e da construção de patrimônio na independência feminina foi uma grande oportunidade. Conhecimento gera segurança, e toda mulher deve ter autonomia para cuidar, construir e decidir sobre seu próprio patrimônio e seu futuro.”
A discussão reforça uma perspectiva mais ampla da educação financeira, na qual organizar recursos não é um fim em si mesmo, mas parte de um processo de construção de escolhas, proteção e realização de objetivos.
Longevidade financeira começa muito antes da aposentadoria
Outro eixo da Convenção foi a longevidade.
A discussão relacionou aposentadoria, planejamento financeiro, saúde, bem-estar, autonomia e construção de redes de apoio.
Ismael Mello, especialista em Finanças Sênior, ressaltou que preparar-se para o envelhecimento não é uma decisão que deve começar apenas na proximidade da aposentadoria.
“Minha contribuição partiu da educação do comportamento financeiro, porque envelhecer com autonomia não começa na aposentadoria. É resultado de decisões, condições e aprendizados acumulados ao longo do tempo.”
A perspectiva também apareceu associada à qualidade de vida.
Para Cláudia Guastelli, CEO da Celebre Qualidade de Vida, falar sobre dinheiro também envolve propósito, autonomia e capacidade de escolha.
“Falar sobre dinheiro é também falar sobre autonomia, qualidade de vida e propósito. Quando uma mulher conquista autonomia financeira, ela transforma sua história e cria impacto positivo para sua família, seus negócios e as próximas gerações.”
Diferentes setores se unem ao debate
A 1ª Convenção Nacional Mulheres na Educação Financeira reuniu representantes de iniciativas relacionadas ao empreendedorismo, educação financeira, varejo, mercado de trabalho, contabilidade, sistema financeiro e desenvolvimento feminino.
Participaram instituições como Sebrae Delas São Paulo, CMEC Mulher Nacional, WIN Brasil, APOEF, Casa Paulistana, Celebre Qualidade de Vida, Programa Tem Saída, Instituto Soaper, CRC-SP/CRC Mulher, CRECI-SP Mulher, Sicoob União Centro-Oeste, Instituto Mulheres no Varejo, Mulheres do Brasil, Grupo Serpa, BRICS Mulheres na Indústria e Instituto Quais de Mim Você Procura.
A programação contou ainda com participação institucional da Agência São Paulo de Desenvolvimento, representando a Prefeitura de São Paulo, além de presidentes regionais, educadores financeiros e lideranças da rede ABEFIN de diferentes estados.
Para Sandra Takata, presidente do Instituto Mulheres no Varejo, o tema precisa ultrapassar o campo do conhecimento técnico sobre dinheiro.
“Participar da 1ª Convenção Nacional das Mulheres na Educação Financeira foi uma oportunidade de contribuir para uma agenda que vai além do conhecimento financeiro: promove autonomia, protagonismo e transformação social. Quando uma mulher conquista autonomia financeira, ela amplia oportunidades para toda a sociedade.”
ABEFIN Mulher leva propostas ao debate sobre políticas públicas
Um dos desdobramentos da Convenção foi a apresentação de propostas relacionadas à participação da ABEFIN Mulher no debate público sobre autonomia e segurança financeira feminina.
Segundo a entidade, foram apresentadas dez contribuições técnicas relacionadas ao texto substitutivo do Projeto de Lei 6.731/2025, envolvendo temas como empreendedorismo feminino, educação do comportamento financeiro, geração de renda, inclusão produtiva, empregabilidade e proteção contra o superendividamento.
O PL 6.731/2025 institui uma política nacional voltada à segurança financeira da mulher. Após a aprovação de substitutivo pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a proposta passou a prever a Política Nacional de Autonomia e Segurança Financeira da Mulher, incluindo medidas relacionadas à educação econômica e financeira permanente, microcrédito orientado e protegido, empreendedorismo e inserção no mercado de trabalho.
Em setembro de 2026, a proposta encontra-se na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, aguardando parecer da relatoria.
Entre as propostas apresentadas pela ABEFIN Mulher durante a Convenção também estão a criação de um Observatório Social de Autonomia Econômica Feminina, de um Conselho Consultivo Nacional de Lideranças Femininas e o fortalecimento de estruturas municipais voltadas às políticas para mulheres.
Convenção apresenta agenda para os próximos anos
A Grande Plenária Nacional reuniu os principais temas debatidos ao longo do evento e apresentou documentos que passam a integrar a agenda institucional da ABEFIN Mulher.
Entre eles estão a Agenda Nacional de Autonomia Econômica Feminina 2027–2030, a Carta de Intencionalidade aos presidenciáveis, as contribuições relacionadas ao PL 6.731/2025 e propostas para a criação do Observatório Social e do Conselho Consultivo Nacional de Lideranças Femininas.
A Carta de Intencionalidade foi apresentada como um documento de propostas e posicionamentos institucionais provenientes da Convenção, destinado a integrar o debate público sobre autonomia econômica feminina no período que antecede o próximo ciclo de governo.
A programação também contou com o lançamento do Edital 2027 dos Notáveis da Educação Financeira e do programa Amigos da Educação Financeira, destinados ao reconhecimento de profissionais, empresas, cooperativas, universidades, instituições e organizações sociais que desenvolvem iniciativas relacionadas à educação financeira.
Educação financeira como uma agenda permanente
Para Emanuela Mota, presidente da ABEFIN Sergipe, a primeira edição da Convenção deixou como legado a combinação entre conhecimento, acolhimento e conscientização.
“A Primeira Convenção Nacional de Mulheres na Educação Financeira trabalhou pilares fundamentais: acolhimento, conhecimento e consciência. O evento trouxe conteúdos elaborados para desenvolver e fortalecer a autonomia financeira feminina e encerrou plantando uma semente em cada participante, mostrando que é possível mudar os próximos ciclos por meio da educação do comportamento financeiro.”
Ao alcançar aproximadamente mil participantes e reunir representantes de diferentes setores, a primeira edição ampliou a discussão sobre educação financeira para dimensões como trabalho, patrimônio, longevidade, cuidado, empreendedorismo e políticas públicas.
A iniciativa reforça uma visão central da Educação do Comportamento Financeiro: lidar melhor com o dinheiro não significa apenas controlar gastos, mas ampliar a capacidade de fazer escolhas conscientes, planejar o futuro e transformar sonhos em objetivos possíveis.
Em 2027, essa agenda terá continuidade em Minas Gerais, com a realização da 2ª Convenção Nacional Mulheres na Educação Financeira.