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Para educador financeiro, aumento da inadimplência reflete falta de planejamento

Educador financeiro não vê nenhuma surpresa no crescimento da inadimplência observada em 2011, atribuindo o resultado à “grande festa do consumo” vista nos últimos anos e ao aumento da oferta de crédito, em meio à uma população que não dispõe de educação financeira.

A taxa de inadimplência subiu 5,34% no ano passado, frente a 2010, segundo dados da CNDL (Confederação Nacional de Lojistas) e o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). De acordo com o presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, Reinaldo Domingos, a falta de planejamento é um dos principais elementos que faz com que os consumidores não consigam arcar com seus compromissos.

Os elevados juros bancários também não ajudam, já que a maioria dos brasileiros recorre a empréstimos e linhas de crédito. Utilizar esses recursos não é exatamente o problema, mas sim apelar a eles sem conhecer em detalhes o funcionamento do sistema, pontua Domingos.

Frente às oportunidades de linhas de crédito, a vontade de consumir e as dívidas atrasadas, algumas dicas podem ajudar os consumidores a evitar destruir seu orçamento. Em seu livro “Livre-se das Dívidas: como equilibrar as contas e sair da inadimplência”, Domingos elabora justamente essas dicas.

O ciclo do endividamento

1. Causas – segundo Domingos, o endividamento acontece por conta do analfabetismo financeiro, do consumismo, do marketing publicitário e do crédito fácil;

2. Meios – os recursos que permitem essa situação são o cheque especial, cartão de crédito, crediário, crédito consignado, empréstimos, adiantamentos e antecipação do IR (imposto de renda);

3. Efeitos – estando endividados, os consumidores enfrentam diversos tipos de problemas, que, segundo Domingos, podem ser de ordem pessoal e até profissional, como problemas conjugais, de saúde, desmotivação, baixa autoestima, produtividade reduzida, atrasos e até faltas no trabalho.

O que fazer?
Em uma situação de endividamento, a sugestão é fazer um levantamento detalhado de todas as dívidas, “separando em ‘essenciais’ e ‘não essenciais’”, explica Domingos. É importante priorizar as dívidas ‘essenciais’, para evitar o corte de serviços indispensáveis.

Outro tipo de dívida que se deve priorizar são aquelas com altas taxas de juros, que provavelmente serão dos empréstimos adquiridos no sistema financeiro. Vale à pena procurar o gerente do banco e, segundo o educador, solicitar que junte em um mesmo pacote as dívidas de cheque especial, cartão de crédito e demais empréstimos, para poder negociar uma linha de crédito diferente, mais alongada, com juros médios de 2,5%, cuja prestação seja menor do que o valor total dos juros que a pessoa pagava mensalmente.

A partir desse acordo com o banco, o devedor estará pagando não apenas os juros, mas sim o valor principal, fazendo com que a dívida seja efetivamente liquidada ao longo do tempo.

Caso não seja possível entrar em um acordo com a instituição financeira ou se a parcela não couber no orçamento, será melhor poupar para quando for procurado pelas empresas de recuperação de crédito contratadas pelos bancos, tendo, assim, melhores condições de negociar a quitação, em valores menores.

FONTE: UOL – via InfoMoney

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